Venezuelanos no AC relatam angústia por notícias de parentes após terremoto: 'Desesperados'

  • 26/06/2026
(Foto: Reprodução)
Venezuelanos em abrigo no AC relatam angústia de familiares após terremoto Venezuelanos abrigados na Casa de Passagem de Rio Branco vivem momentos de apreensão desde que terremotos atingiram a Venezuela nessa quarta-feira (24). Eles, assim como inúmeros conterrâneos espalhados pelo mundo, aguardam notícias de familiares. Quem está nesta situação é Wendy Yomaira Dorante Jaramillo, de 45 anos, que tem a mãe e um filho que moram na capital Caracas. Somente na manhã de quinta-feira (25) soube que estão bem, mas duas primas morreram. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp “Eu chorei muito, sinto tristeza e não consigo dormir. Não sofro só pela minha família, mas por toda a Venezuela. Meus parentes estão bem, mas duas primas morreram soterradas nos escombros. Está todo mundo desesperado. Evitam até enviar fotos, pois é tenebroso o que estão passando”, relata. Dois tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 foram registrados na noite de quarta-feira (24), com intervalo de menos de um minuto entre eles. O g1 acompanha as atualizações do desastre em tempo real. Wendy Jaramillo, de 45 anos soube que a mãe e o filho estão bem, mas 2 primas morreram. Jorge Cabrera, de 32, ainda aguarda notícias de seu pai Waalce Gomes/g1 e Fausto Torrealba/Reuters LEIA MAIS AO VIVO: g1 atualiza sobre desastre Moradores do Acre sentiram 'leve' tremor de terra; especialista explica Infográfico: entenda como Venezuela teve dois terremotos em segundos e como isso foi sentido no Brasil Itamaraty confirma morte de dois brasileiros após terremotos na Venezuela Segundo Wendy, as casas onde vivem seus familiares tiveram paredes danificadas, e parte da família precisou deixar os imóveis por medo de novos desabamentos. Como o país enfrenta falta de energia elétrica e conexão de internet e telefone após os tremores, ela não conseguiu mais contato com algumas tias e primas, que seguem desaparecidas. “Meus parentes colocaram os colchões na rua por receio de novos tremores, e os outros moradores também, inclusive mulheres grávidas em trabalho de parto. Até as famílias cujas casas não desabaram preferem ficar do lado de fora por medo de a estrutura ceder. É muito triste”, conta. Venezuela sofre terremoto mais forte em mais de 100 anos Momentos de angústia Outro venezuelano no Acre que passa pela angústia da espera por informações após o desastre é o mestre de obras Jorge Luís Torres Cabrera, de 32 anos, natural de Caracas. Assim como Wendy, ele sabe apenas que estão vivas a mãe Dulce María Cabrera Hurtado, de 52 anos, e a filha dele, Yohargelis Luissianys Torres Suárez, de 12. Dos demais familiares, ele ainda não tem notícias. “Fiquei tremendo, muito nervoso. Precisei tomar dois remédios para conseguir me acalmar. Nunca imaginei que isso fosse acontecer com o nosso povo. Vim [para o Brasil] em busca de uma vida melhor e para dar uma casa e uma realidade melhor para minha filha, e agora não sei se elas vão estar vivas até lá”, afirma. Jorge e a filha, Yohargelis Luissianys Torres Suárez, em um registro anos antes dele deixar a Venezuela Arquivo pessoal Jorge e Wendy se conheceram durante a rota migratória, ainda no Equador, e seguem com o objetivo de chegar a Florianópolis, em Santa Catarina, onde esperam encontrar trabalho e recomeçar a vida. Apesar da mudança para o Brasil, praticamente toda a família permaneceu na Venezuela, como o pai e irmãos. Apenas um dos irmãos mora fora, na Espanha, há cerca de 12 anos, e é quem ajuda financeiramente a família. Ainda conforme Jorge, ele descobriu sobre o terremoto por meio de um amigo, que enviou mensagens através de um aplicativo durante a noite. Até então, ele tentava conversar normalmente com os familiares e sequer sabia que a tragédia havia ocorrido. “Ele me enviou uma mensagem perguntando se meus parentes estavam bem. Não entendi. Foi quando ele me contou. Naquele instante, passei a procurar informações e tentar contato com a família repetidas vezes. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida”, relembra. Quando finalmente conseguiu falar com a mãe, já na manhã desta quinta-feira, recebeu a notícia de que ela e os irmãos estavam vivos. Ainda assim, o cenário descrito pela família era de destruição total. Segundo ele, casas de vizinhos desabaram. Casa de passagem para migrantes, em Rio Branco Walace Gomes/g1 “Meu pai mora separado da minha mãe e continua sem dar notícias, assim como outros parentes. Essa angústia é o que nos mata. Como algumas pessoas deixaram as casas, gente maldosa está aproveitando para furtar os objetos. O país está vivendo um caos enquanto o povo morre”, lamenta. Conforme o psicólogo da Casa de Passagem, Eduardo Oliveira, atualmente 56 pessoas estão abrigadas nos 11 dormitórios da unidade, e muitos dos moradores venezuelanos passaram horas tentando contato com familiares. “Cada um ficou no seu quarto tentando falar com a família, mas todos estavam preocupados, chorando e tentando saber notícias de quem ficou na Venezuela. Nosso trabalho, inicialmente, é ajudá-los a entrar em contato com os familiares e acalmá-los diante da tragédia”, ressalta. Moradores do AC sentem tremor de terra ‘sutil’ após terremoto na Venezuela Tremor sentido no Acre Moradores da capital do Acre, Rio Branco, sentiram um leve tremor de terra durante os terremotos que atingiram a Venezuela. Um vídeo de uma moradora do bairro Xavier Maia mostra a água da piscina oscilando. (Veja vídeo acima) Ao g1, o professor e pesquisador na área de geografia física da Universidade Federal do Acre (Ufac), Waldemir Lima dos Santos, explicou que a capital acreana está distante a 2,5 mil km do epicentro do terremoto e a abrangência do fenômeno está relacionada à força dos terremotos registrados em um intervalo curto de tempo no país vizinho. “A magnitude dele numa proporção de 7.5 e depois de 7.2, na verdade não foi só um terremoto, foram dois terremotos, no intervalo de tempo muito curto, coisa de 5 a 6 minutos de um para o outro. É algo extremamente raro ocorrer”, detalhou. Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/06/26/venezuelanos-no-ac-relatam-angustia-por-noticias-de-parentes-apos-terremoto-desesperados.ghtml


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