Só 25% da área prometida para restauração no mundo tem ações em curso, diz ONU
29/10/2026
(Foto: Reprodução) Moradores plantam mudas de mangue em uma área costeira de Banda Aceh, na Indonésia, como parte de uma iniciativa de recuperação da vegetação que ajuda a proteger o litoral contra a erosão.
Irwandi wancaleu/Wikimedia Commons.
A recuperação de ecossistemas degradados está em andamento em aproximadamente 252 milhões de hectares ao redor do mundo, mas isso representa apenas um quarto da área que os países se comprometeram a restaurar até 2030.
O alerta é da Organização das Nações Unidas (ONU), que reconhece os avanços na recuperação de florestas, rios e outros ambientes naturais, mas afirma que o ritmo atual continua insuficiente para cumprir as metas internacionais de proteção da biodiversidade.
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A avaliação, divulgada nesta quinta-feira (29) durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17), em Yerevan, na Armênia, é o primeiro levantamento global sobre o progresso dos países na restauração de ecossistemas.
O relatório, elaborado por três órgãos da ONU, aponta que os países prometeram restaurar cerca de 1 bilhão de hectares de ecossistemas degradados, área maior que o Brasil.
Até agora, porém, apenas cerca de 25% dessa extensão tem iniciativas de restauração documentadas.
O relatório também avalia o cumprimento de uma meta estabelecida em 2022, no Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que determina que pelo menos 30% dos ecossistemas degradados do planeta estejam sob restauração efetiva até 2030.
Para alcançar esse objetivo, a ONU calcula que as ações de recuperação da natureza precisam triplicar nos próximos anos.
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🌱 ENTENDA: Restaurar um ecossistema significa recuperar áreas que perderam parte de suas características naturais devido a atividades como desmatamento, poluição ou expansão agrícola. Isso pode incluir o reflorestamento, a recuperação de rios e a proteção de manguezais.
O objetivo é recuperar as condições necessárias para que esses ambientes voltem a abrigar espécies e a desempenhar suas funções naturais.
"Estamos testemunhando o surgimento de um dos maiores movimentos em defesa da natureza de que se tem registro", afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma.
"No entanto, na metade da Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas, ainda não estamos recuperando a natureza na escala nem na velocidade necessárias", acrescentou.
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O levantamento reúne informações apresentadas por governos e iniciativas de recuperação ambiental, incluindo registros de atividades realizadas entre 1966 e 2026.
A ONU ressalta que uma área estar sob restauração não significa que sua recuperação tenha sido concluída. Em muitos casos, os trabalhos ainda estão em andamento, e os resultados para a biodiversidade precisam ser acompanhados durante anos.
A maior parte das áreas documentadas está em ambientes terrestres, principalmente florestas e outras paisagens naturais.
Ao todo, aproximadamente 232 milhões de hectares terrestres estão sob restauração, o equivalente a 92% da área total identificada.
A Ásia concentra a maior parte das iniciativas, com 192,2 milhões de hectares. A China aparece com a maior extensão de áreas terrestres em recuperação, aproximadamente 127,4 milhões de hectares.
Na América do Sul, o total registrado chega a 5,4 milhões de hectares. O documento cita o Brasil como exemplo de país que utiliza imagens de satélite e sistemas de acompanhamento ambiental para identificar áreas em recuperação, estimadas em 3,4 milhões de hectares.
A situação é mais preocupante nos ambientes aquáticos. Apenas 11 milhões de hectares de rios, lagos e áreas úmidas estão sob restauração em 62 países, o equivalente a 4,5% da meta para 2030.
Nos ecossistemas marinhos e costeiros, são 5,7 milhões de hectares em 46 países, cerca de 23% da meta.
A ONU alerta, porém, que a falta de dados pode deixar parte das iniciativas fora do levantamento.
A falta de recursos também dificulta a recuperação dessas áreas. Em 2022, o financiamento global para restauração chegou a US$ 64 bilhões, mas a ONU estima que seriam necessários US$ 296 bilhões por ano para cumprir os compromissos até 2030.
O relatório também defende medidas para combater as causas da degradação, como o desmatamento e a exploração inadequada dos recursos naturais.
A ONU destaca que a restauração pode gerar empregos, melhorar a disponibilidade de água e reduzir os efeitos das mudanças climáticas.
Estudos citados no relatório estimam que essas iniciativas poderiam criar até 32 milhões de empregos no mundo até 2030.
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