Por que mesmo com ventos a 160km/h fenômeno que atingiu a região de Ribeirão Preto não é tornado

  • 29/07/2026
(Foto: Reprodução)
Por que mesmo com ventos a 160km/h fenômeno que atingiu a região de Ribeirão não é tornado Mesmo com ventos a 160 km/h, o temporal que causou uma morte e destruiu casas e empresas, além de deixar cidades inteiras sem luz na região de Ribeirão Preto (SP) na última sexta-feira (24), não pode ser considerado um tornado, como chegou a ser avaliada a possibilidade. De acordo com a meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo, o evento climático foi classificado como microexplosão. Ele pode até se assemelhar a um tornado de categoria 1, mas o que difere os dois fenômenos é o tipo de dano causado ao atingir o solo. "O tornado é caracterizado por uma corrente de ar muito intensa, giratória. Quando nós temos um tornado, observamos aquela nuvem funil. A nuvem funil que toca o solo é chamada de tornado. É um vento intenso giratório. Uma microexplosão também é caracterizada por uma corrente de ar descendente, mas que acontece centrada na nuvem, abaixo da nuvem. Ela ocorre em uma região bastante concentrada e o vento forma um desenho meio que radial, divergindo para vários lados". ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Empresa de amendoim destruída por ventos de temporal severo em Dumont, SP Marcelo Moraes/EPTV A velocidade dos ventos de 160 km/h foi registrada pelo Instituto Agronômico (IAC), centro de pesquisa do estado em Ribeirão Preto focado no desenvolvimento agrícola. Ribeirão Preto, Guariba, Taquaritinga, Dumont, Pradópolis e Barrinha foram afetadas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu a dificuldade dos modelos meteorológicos atuais de prever fenômenos extremos. LEIA TAMBÉM: Microexplosão ou tornado: o que provocou temporal com estragos e morte na região Moradora chora ao enfrentar 4º dia sem luz em casa após temporal em Ribeirão Preto Rede é reconstruída após temporal com ventos de até 160 km/h deixar Guariba sem luz ‘Cenário de guerra’, diz prefeito de Dumont após ventos destruírem barracões e casas 'Nunca vi acontecer', diz produtor rural de Taquaritinga sobre queda de torres de alta tensão Estragos feitos pelo vento em imóvel de Taquaritinga, SP Redes sociais Fenômenos de tempo severo Microexplosões e tornados são considerados fenômenos de tempo severo. Ambos são gerados dentro de uma supercélula, que é uma nuvem muito carregada e de grande extensão. A diferença, ainda segundo a meteorologista, é a forma das duas correntes de ar. O tornado é uma corrente de ar giratória e a microexplosão faz um movimento para baixo e para os lados. "O tornado faz um caminho, ele vai caminhando. A microexplosão vai como se fosse saindo das base da nuvem em uma forma radial, mas concentrada em uma área muito pequena. Ela vai pra baixo e pros lados. O tornado faz um giro, a corrente de ar é um movimento giratório. E a microexplosão é uma corrente de ar que vai para vários lados ao mesmo tempo". Tornado e microexplosão se diferem pela forma das duas correntes de ar Reprodução/EPTV A meteorologista diz que tanto o tornado quanto a microexplosão podem causar danos muito semelhantes, dependendo da intensidade. "Só que tornados são considerados fenômenos meteorológicos mais destruidores, porque podemos ter tornados com o vento estimado em 300km/h, 400km/h", diz Josélia. Segundo ela, nem sempre há a formação de uma supercélula com frente fria, como ocorreu na semana passada. "Uma supercélula pode se formar mesmo sem ter uma frente fria. Basta que você tenha uma atmosfera muito instável. Essas supercélulas, que são essas nuvens muito intensas, muito extensas, que podem gerar tornado ou microexplosão, podem se formar em um ambiente onde você tenha um ar muito quente e úmido junto com o ar seco e quente. Você pode ter essas situações por exemplo, em um dia às vezes muito quente de verão, ou de primavera." Sem previsibilidade Ainda segundo Josélia, tornados e microexplosões são fenômenos muito difíceis de serem detectados em radares meteorológicos com mais de 24 horas de antecedência. "Nós não conseguimos, tecnicamente, com todos os avanços que nós temos hoje, dar alertas de microexplosão ou de tornados com mais de 24 horas de antecedência. O que os meteorologistas conseguem antever, é a possibilidade da formação de uma supercélula. Mas onde, exatamente, ela vai se formar, somente conseguimos ver através de imagens de radar meteorológico, imagens de satélite, pouco tempo antes de ela acontecer". Estragos causados por temporal severo em Ribeirão Preto, SP, na sexta-feira (24) Reprodução/EPTV Tempestade deixou rastros de destruição Uma estimativa inicial do governo de São Paulo aponta que o temporal que atingiu a região de Ribeirão Preto na última sexta-feira afetou 79 mil hectares, área equivalente a 110 mil campos de futebol ou o tamanho de cidades como Petrópolis (RJ) e Campinas (SP). De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições meteorológicas observadas na região de Ribeirão Preto na semana passada foram favorecidas pela atuação de um cavado em médios níveis da atmosfera, que promoveu instabilidade sobre a área. "Esse sistema, em conjunto com o calor e a elevada disponibilidade de umidade, além da aproximação de uma frente fria, forneceu os mecanismos de grande escala necessários para o desenvolvimento das tempestades. As informações disponíveis consistem em registros pontuais de velocidade do vento, precipitação, descargas atmosféricas e relatos locais, variáveis que indicam a ocorrência de tempestades", apontou o Inmet em nota. Tempestade em Ribeirão Preto. Reprodução/Jornal Nacional Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/07/29/por-que-mesmo-com-ventos-a-160kmh-fenomeno-que-atingiu-a-regiao-de-ribeirao-preto-nao-e-tornado.ghtml


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