Perfil de Razuk mostra galpão vazio onde influencer guardava carros de luxo e manda recado para os seguidores
18/08/2026
(Foto: Reprodução) Perfil de influencer preso posta garagem vazia após apreensão de carros de luxo em MS
Um dos perfis do influencer Eduardo Razuk no Instagram se manifestou após a prisão dele nesta terça-feira (18), durante uma operação que investiga a movimentação de mais de R$ 100 milhões por meio de rifas consideradas ilegais.
Um vídeo publicado nas redes sociais mostra o galpão onde o influencer mantinha sua coleção milionária de veículos, em Campo Grande. Nas imagens, o espaço aparece completamente vazio. Veja o vídeo acima.
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Ao repostar o vídeo nos stories, o gestor da conta tranquilizou os seguidores do influencer. “Os meninos estão bem”, diz a publicação.
Além de Eduardo Razuk, também foi preso em Campo Grande o irmão dele, Rafael Razuk. Outros dois homens, que não tiveram as identidades divulgadas, foram presos durante a operação, no Rio de Janeiro e na Paraíba.
Garagem vazia do influencer.
Instagram.
A publicação rapidamente repercutiu nas redes sociais.
Até a última atualização, o vídeo já havia alcançado 989 mil visualizações, além de mais de 53,3 mil curtidas e cerca de 3 mil mensagens de apoio enviadas por fãs.
Eduardo Razuk possui mais de 1 milhão de seguidores em seus perfis oficiais nas redes sociais.
Em nota divulgada após as prisões, a defesa de Eduardo e Rafael afirmou que ainda não teve acesso à íntegra da investigação nem à decisão judicial que determinou as prisões. Os advogados, no entanto, sustentaram que os sorteios realizados pelos irmãos eram legais.
A investigação e as prisões
A investigação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) aponta que o grupo realizava sorteios sem autorização nas redes sociais e usava empresas para tentar dar aparência de legalidade aos valores, lavando o montante milionário obtido com as rifas.
Eduardo Razuk.
Instagram.
Segundo a polícia, os presos são suspeitos de envolvimento nos seguintes crimes:
Prática de rifas ilegais - realização de sorteios de carros de luxo sem a devida autorização legal ou por meio de entidades sem competência para tal;
Lavagem de dinheiro - uso de empresas no Rio de Janeiro e na Paraíba para sofisticar o esquema, apagar o histórico ilícito e dar uma falsa aparência de legalidade aos valores arrecadados, que ultrapassaram cem milhões de reais em seis meses;
Associação criminosa - formação de esquema coordenado entre os investigados e empresas de diferentes estados para burlar a fiscalização.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão nos três estados.
Em Campo Grande, a polícia apreendeu 22 veículos de luxo. Somados os valores de mercado, os carros estão avaliados entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Dois relógios de luxo também foram apreendidos.
Como funcionava o esquema
Segundo o delegado Pedro Henrique Pilar Cunha, os investigados realizavam rifas sem autorização desde 2019. As cotas eram vendidas pelas redes sociais e, em determinado período, cada sorteio movimentava cerca de R$ 2 milhões.
De acordo com Cunha, entre 2019 e 2025, a atuação do grupo estava concentrada em Campo Grande. Nesse período, os investigados teriam realizado vários sorteios sem autorização e movimentado o dinheiro obtido com a prática.
A partir de 2025, o grupo teria mudado de estratégia. Segundo a polícia, após operações contra influenciadores envolvidos com rifas sem autorização em diferentes estados, os investigados passaram a buscar formas de dificultar a identificação da origem do dinheiro e dar aparência de legalidade aos sorteios.
Foi nesse contexto que, segundo a polícia, os irmãos teriam se associado a uma empresa do Rio de Janeiro e a outra da Paraíba.
Segundo o delegado, a empresa do Rio de Janeiro fazia a intermediação entre influenciadores digitais e a empresa da Paraíba. Conforme a investigação, a estrutura seria usada para criar uma suposta autorização para os sorteios.
Segundo Cunha, a entidade envolvida não teria autorização para permitir esse tipo de sorteio.
Apreensão dos veículos
Com o avanço da investigação, a Polícia Civil pediu medidas cautelares contra os envolvidos. Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens que podem estar relacionados ao esquema.
Os 22 veículos de alto padrão apreendidos em Campo Grande foram alvo de sequestro judicial. Também foram determinadas medidas sobre imóveis e contas bancárias. Segundo a polícia, os bens poderão ser perdidos caso os investigados sejam condenados.
As buscas também tiveram como objetivo apreender celulares, computadores e outros dispositivos que possam ajudar a esclarecer como o grupo funcionava. O material será analisado pela polícia. A investigação também deve verificar se há outros envolvidos e identificar possíveis novos crimes relacionados ao esquema.
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O delegado explicou que, em princípio, quem comprou as rifas ou recebeu algum prêmio não será responsabilizado criminalmente apenas por participar dos sorteios. A situação pode ser diferente se houver comprovação de envolvimento dessas pessoas com as práticas criminosas.
Segundo Cunha, a falta de autorização também impede a fiscalização dos sorteios. Com isso, não é possível verificar, por exemplo, se houve fraude ou se dinheiro de outros crimes foi misturado aos valores movimentados pelas rifas.
A investigação continua com a análise do material apreendido. As contas usadas pelos investigados nas redes sociais também podem ser bloqueadas se ficar comprovado que foram utilizadas para a prática dos crimes.
O que diz a defesa
Os advogados Tiago Bunning e Heitor Matos, que representam os envolvidos, enviaram uma nota ao g1. Veja na íntegra:
"Ainda não temos acesso à investigação e a decisão judicial, mas podemos antecipar que os sorteios realizados são legais. A operação respeita todo o regramento específico do setor, não havendo qualquer irregularidade. Após ter acesso ao procedimento podemos prestar novos esclarecimentos".
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