Macadâmia produzida no ES vira doces, biscoitos e gelato e chega ao mercado internacional

  • 01/11/2026
(Foto: Reprodução)
Macadâmia ganha espaço e vira fonte de renda para famílias no Espírito Santo Uma noz de casca dourada que atravessa gerações de agricultores ganha espaço em mercados internacionais e ainda vira doce, biscoito e gelato. Em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, a macadâmia faz parte da história de famílias produtoras há mais de três décadas e movimenta uma cadeia que une tradição, tecnologia e criatividade na cozinha. O município concentra a maior parte da produção capixaba da noz. Por ano, uma cooperativa local recebe cerca de 1.600 toneladas de macadâmia, que passam por beneficiamento antes de serem comercializadas no Brasil e em outros países. Cultivo começou a ganhar força nos anos 1980 A produção de macadâmia começou a ganhar espaço em São Mateus na década de 1980, período em que a agricultura do Norte do estado passava por transformações e os agricultores buscavam alternativas para diversificar as atividades no campo. Segundo o produtor Eliseu Bonomo, o governo estadual participou desse processo com subsídios e distribuição de mudas. "Com a década de 1980, houve uma grande mudança no Espírito Santo, especialmente no Norte do estado, na agricultura. Antes, era muita agricultura familiar e ali foi um período de transformação, onde começaram a chegar novas culturas, novas atividades e muitos foram em busca de novas alternativas agrícolas. E, nesse buscar de novas alternativas, a macadâmia também foi uma delas", contou. Ao longo dos anos, porém, os desafios da atividade fizeram com que muitos produtores abandonassem o cultivo. Na família Bonomo, a produção continuou de uma geração para outra. Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo Raphael Verly Ítalo Bonomo deu sequência ao trabalho iniciado pelo pai e passou a investir em tecnologia para facilitar uma das etapas mais trabalhosas do processo: a colheita. Máquinas ajudam a reduzir custos Há três anos, a propriedade da família adquiriu máquinas capazes de recolher do chão as macadâmias que caem das árvores. A tecnologia diminuiu a necessidade de trabalhadores nessa etapa e ajudou a reduzir os custos da produção. "Isso fez com que o nosso trabalho demandasse menos pessoas e também reduziu o custo e ganhou um pouco em qualidade também do serviço. Vem ajudando a gente nesse processo de colheita, que é um processo que demanda bastante pessoas", explicou Ítalo. Mesmo com a mecanização, o trabalho manual continua importante, especialmente durante a colheita, quando aumenta a necessidade de mão de obra. A propriedade tem aproximadamente 100 hectares destinados à atividade. São 15 funcionários fixos durante o ano, número que chega a cerca de 30 no período de colheita. "Hoje, para trabalhar nessa área de aproximadamente 100 hectares, nós temos 15 funcionários fixos que trabalham o ano todo e, no período de colheita, esse número de funcionários dobra", afirmou. Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo Raphael Verly Da amêndoa para doces, biscoitos e gelatos Além de vender a noz, produtores da região encontraram outra forma de aproveitar a macadâmia: transformá-la em alimentos com maior valor agregado. Na fazenda administrada por Ana Paula, a amêndoa é usada na fabricação de doces, biscoitos e gelatos. A ideia começou com a tia dela, que desenvolveu um doce de macadâmia durante um curso do Empretec. Quando assumiu a administração da propriedade, Ana Paula decidiu tirar a ideia do papel e ampliar a produção. "Tudo começou com a minha tia fazendo curso do Empretec, em que ela tinha que desenvolver um produto. Como ela também é produtora de macadâmia, ela criou o doce de macadâmia. E eu, em seguida, assim que assumi a administração aqui da fazenda, falei assim: 'Vou colocar em prática e produzir esse doce para o Brasil e quem sabe para o mundo todo'", contou. O processamento permite aproveitar a amêndoa em diferentes receitas e criar alternativas de comercialização para além da venda tradicional da noz. "A macadâmia é processada, então a gente pega o produto e traz aqui para a mesa para fazer essas delícias, que não é só o doce. Aqui na fazenda nós fazemos o doce, o biscoito e o gelato", explicou. Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo Raphael Verly Espírito Santo é o segundo maior produtor do país O Espírito Santo ocupa a segunda posição entre os maiores produtores de macadâmia do Brasil, atrás de São Paulo, segundo os produtores entrevistados. No estado, São Mateus se destaca pela concentração do cultivo e pela organização dos agricultores em torno da cooperativa. "São Paulo é o maior produtor do Brasil, e nós somos o segundo maior. E aqui, especialmente aqui no Norte do estado, em São Mateus, a gente tem esse trabalho e, através da cooperativa, conseguiu manter e se organizar com esse trabalho que a gente acha muito importante para nós, produtores de macadâmia", afirmou Eliseu Bonomo. Entre a continuidade do trabalho familiar, a mecanização da colheita e a criação de novos produtos, os agricultores buscam manter viva uma atividade que começou a ganhar força na região há mais de 30 anos e que hoje alcança consumidores dentro e fora do Brasil. Cooperativa reúne produtores há mais de 25 anos Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo Raphael Verly A união dos agricultores também ajudou a manter a atividade na região. Em 1999, produtores de São Mateus criaram uma cooperativa para compartilhar conhecimentos, enfrentar dificuldades e organizar as etapas de beneficiamento e comercialização da macadâmia. Desde então, a estrutura se tornou um ponto importante para reunir a produção local e preparar a noz para chegar aos consumidores. Por ano, a cooperativa recebe aproximadamente 1.600 toneladas. Depois do beneficiamento, a macadâmia pode ser comercializada in natura ou torrada. Parte da produção é enviada para os Estados Unidos e países da Europa e da América do Sul. Outra parte abastece o mercado brasileiro. *Texto adaptado por Matheus Souza, aluno do 29º Curso de Residência em Jornalismo. Este conteúdo teve orientação de Juirana Nobres e edição de Vitor Ferri. Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo Raphael Verly Produção de macadâmia atravessa gerações e fortalece a agricultura em São Mateus, no Norte do Espírito Santo Raphael Verly Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/agronegocios/noticia/2026/11/01/macadamia-produzida-no-es-vira-doces-biscoitos-e-gelato-e-chega-ao-mercado-internacional.ghtml


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