Horas de entrevistas, meses de produção: como escritora reconstruiu história de policial que prendeu assassino do pai em RR

  • 06/11/2026
(Foto: Reprodução)
Gislayne Silva de Deus, escrivã da Polícia Civil que prendeu o assassino do próprio pai em Roraima. Yara Ramalho/g1 RR Seis meses de produção exclusiva, horas de entrevistas e conversas com várias pessoas. Assim foi a rotina que a escritora e roteirista Luciana de Gnone teve ao escrever o livro “Voz de prisão”. A obra é inspirada na história real da escrivã da Polícia Civil de Roraima Gislayne Silva de Deus, que prendeu o assassino do próprio pai 25 anos após o crime. O livro foi lançado nesta sexta-feira (6), em Boa Vista, durante evento na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), com a presença de Luciana e Gislayne. A Casa Legislativa também lançou um documentário sobre o caso. Além do livro, a história também vai ganhar uma adaptação para o cinema, estrelada pela atriz global Carol Castro. Luciana de Gnone também é responsável pelo roteiro do filme. Ainda não há previsão de estreia. A história voltou para casa para ter o encerramento, para ter a emoção que a gente precisava aqui, porque a história aconteceu aqui e nós somos daqui. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Escritora e roteirista Luciana de Gnone. Yara Ramalho/g1 RR Em entrevista ao g1, Luciana contou que decidiu escrever sobre o caso depois de ler uma notícia em um jornal, em setembro de 2024. Autora de ficção policial, ela já havia publicado seis livros, todos protagonizados por mulheres. Inicialmente, pensou em adaptar a história em um roteiro para o cinema, mas decidiu transformá-la em livro. “Aquilo para mim já era a matéria-prima pura. Naquele momento percebi que havia uma história potente por trás”, contou. Cerca de uma semana depois, Luciana entrou em contato com Gislayne para conversar sobre a adaptação do caso para a literatura. A escrivã aceitou a proposta duas semanas depois. Livro Voz de Prisão, de Luciana de Gnone, é lançado em Boa Vista (RR). Yara Ramalho/g1 RR LEIA TAMBÉM: Mulher vira policial e prende assassino do próprio pai 25 anos após crime em Roraima Entenda ponto a ponto o caso da policial que prendeu assassino do pai 25 anos após crime em Roraima Policial que prendeu assassino do pai 25 anos depois teve crise de choro após prisão: ‘Lágrimas de alívio’ Da história real à ficção Ambientado em 1999, ano do crime real, o livro acompanha Helena, uma menina de 9 anos que perde o pai assassinado. Já adulta, ela investiga o caso ao lado da agente Ana Lice e enfrenta traumas e a demora da Justiça. A construção do livro começou em fevereiro de 2025, quando Luciana veio a Roraima para entrevistar pessoas que acompanharam o caso ao longo de 25 anos, como investigadores do departamento de inteligência da Polícia Civil e da Delegacia de Homicídios para entender o trabalho de investigação. "Acumulei 9 horas de entrevistas gravadas. Como não sou jornalista, reproduzir uma história real mantendo sua essência e respeitando as pessoas envolvidas, com a liberdade de transformá-la em ficção, foi um grande desafio", disse a autora. Ao todo, Luciana ouviu entre 12 e 15 pessoas, além de familiares de Gislayne. Ela também estudou o processo judicial e o inquérito policial sobre o crime, que ocorreu em 1999 (relembre mais abaixo). A escritora também visitou locais importantes para ambientar o livro, incluindo a região da fronteira entre Bonfim, no Norte de Roraima, e Lethem, na Guiana. História de escrivã que prendeu assassino do pai em Roraima vira livro Para organizar as informações, a autora montou um fichário com os documentos em ordem cronológica, desde o boletim de ocorrência até o mandado de prisão. A ideia também foi incorporada ao livro: Helena mantém um fichário para reunir os documentos relacionados ao caso. A produção do livro levou cerca de seis meses de dedicação exclusiva. Desse período, quatro meses foram destinados à organização e à análise das informações, e dois meses à escrita. A obra foi publicada pela editora Mapa Lab. "O limite sempre foi o respeito. Qualquer elemento narrativo que gerasse dúvida sobre sensibilidade era cortado", ressaltou Luciana. Lançamento em Roraima Escritora e roteirista Luciana de Gnone em sessão de autógrafos do livro 'Voz de Prisão' em Roraima. ALE-RR/Reprodução O livro teve seu primeiro lançamento no Rio de Janeiro, em maio de 2026. Para Gislayne e Luciana, apresentar a obra em Roraima representava um "um compromisso com o lugar onde a história aconteceu" e simbolizava o encerramento do ciclo de produção. "Confesso que a gente fica naquela sensação de: será que é a minha história mesmo? Será que aconteceu comigo? Será que eu não vou acordar e, de repente, foi só um filme que vi em algum lugar? Fica essa sensação, na verdade, de parecer algo tão surreal que a gente fica meio sem saber se é realidade ou não", contou a escrivã ao g1. "Este lançamento aqui, com a minha família e os meus amigos podendo estar dentro da nossa Casa Legislativa, foi um momento ímpar na minha vida", ressaltou a escrivã, emocionada. O lançamento contou com a presença de familiares de Gislayne, deputados estaduais e representantes da Polícia Civil e de outros órgãos de segurança pública de Roraima. Escrivã da Polícia Civil de Roraima Gislayne Silva de Deus. Marley Lima/Ale-RR/Reprodução História real A história que inspirou o livro teve desfecho em 2024, em Boa Vista. Em setembro, a escrivã Gislayne de Deus participou da operação que prendeu o homem acusado de matar o pai dela, Givaldo José Vicente de Deus. Raimundo Alves Gomes, então com 60 anos, foi preso em uma área de chácaras no bairro Nova Cidade, na zona Oeste, após ficar foragido desde 2016. Ele havia sido condenado em 2013 pelo Tribunal do Júri a 12 anos de prisão por homicídio. O processo foi concluído no mesmo ano, mas ele não ficou preso. O crime aconteceu em 16 de fevereiro de 1999, quando Gislayne, então com 9 anos, perdeu o pai. Givaldo estava em um bar quando foi morto com um tiro após uma discussão por uma dívida de R$ 150 com Raimundo Alves. O crime ocorreu no bairro Asa Branca, na zona Oeste da capital. O homem ainda levou a vítima ao hospital, mas fugiu logo depois. Gislayne e as irmãs, outras quatro filhas de Givaldo, ficaram órfãs de pai. O acusado só foi condenado pelo crime 14 anos depois, em 2013, e preso em 25 de setembro de 2024. Gislayne Silva de Deus, policial que prendeu assassino do pai 25 anos depois do crime em Roraima. Caíque Rodrigues/g1 RR Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/11/06/voz-de-prisao-livro-sobre-mulher-que-se-tornou-policial-e-prendeu-assassino-do-proprio-pai-e-lancado-em-roraima.ghtml


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