Febre das lavanderias: SP tem 5 vezes mais unidades self-service do que em 2022, diz associação
26/09/2026
(Foto: Reprodução) O que explica a 'febre das lavanderias'?
Antes incomuns nos centros urbanos, hoje as lavanderias de autoatendimento (self-service) estão por todo lugar. Cidades mais populosas, apartamentos menores e mudanças de consumo das novas gerações estão entre os fatores que explicam a “febre das lavanderias”. São Paulo é um exemplo desse cenário e concentra 25% das unidades no Brasil. Em quatro anos, o estado saltou de menos de 400 estabelecimentos para 2 mil.
Em 2022, o país registrava cerca de 1.500 unidades, tanto compartilhadas em condomínios, quanto abertas ao público. O número saltou para 8 mil até 15 de setembro — um crescimento de pouco mais de 430%. Os dados são da Associação Nacional das Empresas de Lavanderia (Anel), levantados a pedido do g1.
Nessa tendência, Josefa Oliveira, de 61 anos, moradora da Zona Sul, conta que não abandonou a máquina de lavar, mas seca roupas em lavanderias há um ano. "É pela praticidade. As roupas saem secas, perfumadas e é só dobrar e guarda", contou ao g1.
A corretora de imóveis notou a unidade no bairro da filha, começou a usar o serviço apesar da distância e chegou a convenceu o proprietário a abrir um estabelecimento mais próximo da sua casa, onde agora vai com frequência.
Nesta matéria você entende:
O que explica a "febre das lavanderias"?
Quanto o setor movimenta?
Quanto custa abrir uma lavanderia? Vale a pena?
1. O que explica a ‘febre das lavanderias’?
O Brasil tem 87% da população em áreas urbanas, e a área dos comércios e das moradias tem crescido nessas regiões, com crescimento de 12,3%, de acordo com o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mudança foi acompanhada da miniaturização dos apartamentos, e de alterações no comportamento da população, que busca mais praticidade.
A falta de espaço para máquina de lavar e varal em casa abriu espaço para a expansão dos modelos mais tecnológicos de lavanderias. Os estabelecimentos deixaram de ser tradicionais e familiares e passaram a ser franquiados e tecnológicos, com os modelos que permitem o autoatendimento. A facilidade e a os preços acessíveis se popularizaram nas classes B e C.
O modelo foi importado no exterior, começou no Rio de Janeiro, e se expandiu para São Paulo.
“Ainda há muito espaço para expansão. A previsão é a de que tenhamos cerca de 10 mil unidades no país até 2030, e o triplo desse número até 2050", disse Othon Barcellos, presidente da Anel.
Infográfico - Expansão das lavanderias self-service no estado de SP
Arte/g1
Quanto o setor movimenta?
O mercado de lavanderias movimentou R$ 6,2 bilhões em 2023, de acordo com dados da Associação Brasileira de Lavanderias (Abralav). O crescimento médio anual foi de 4,8% desde 2020, segundo a associação.
No ramo de franquias, o setor de Limpeza e Conservação, que inclui as lavanderias self-service, foi o que mais cresceu no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado: alta de 17,6%. De abril a junho, o faturamento foi de quase R% 685 milhões, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).
A franquia francesa 5àsec e a marca brasileira LavPop, redes do Grupo Froth, divulgaram faturamento recorde no Brasil. A rede francesa, que faturou R$ 330 milhões em 2025, cresceu 12,4% no primeiro semestre de 2026. Já a franquia de autosserviço registrou crescimento de 78% entre janeiro e junho deste ano.
Na cidade de São Paulo, empresas do setor emitiram R$ 468,69 milhões em notas fiscais em 2024, crescimento de 18% em relação ao ano anterior. Até agosto deste ano, o montante foi de R$ 336,13 milhões, de acordo com a Secretaria Municipal da Fazenda.
Quanto custa abrir uma lavanderia? Vale a pena?
O investimento inicial para entrar na onda das lavanderias varia entre R$ 70 mil a R$ 400 mil, a depender da rede e dimensão. Segundo a Abralav, o prazo médio de retorno varia entre 12 e 48 meses com lucratividade potencial de até 60%.
Barcellos, da Anel, alerta que o faturamento depende de fatores como a época do ano, número de máquinas, localização e qualidade da lavagem. “Ao contrário do que pode se pensar, os donos têm trabalho, sim”, ressalta.
O presidente da Anel ainda alerta que bairros de São Paulo como Moema, Itaim Bibi, Higienópolis e Tatuapé já estão saturados de estabelecimentos.