Estudo mostra que 96% dos mortos em ações policiais no Amazonas em 2025 eram negros
01/07/2026
(Foto: Reprodução) Policiais militares do Amazonas
Mauro Neto/Secom
Cerca de 96% das mortes por intervenção policial registradas no Amazonas em 2025 tiveram pessoas negras como vítimas, segundo o estudo “Pele Alvo: entre racismo e letalidade”, da Rede de Observatórios da Segurança, divulgado nesta quarta-feira (1º). O índice coloca o estado com a maior proporção de vítimas negras entre os nove estados monitorados pelo levantamento.
🔎 O estudo "Pele Alvo", da Rede de Observatórios da Segurança, toma como base dados das secretarias de segurança pública estaduais obtidos por Lei de Acesso à Informação (LAI). As informações passam por validação, para identificar eventuais inconsistências. Os pesquisadores adotam o critério do IBGE para definir a população negra como o somatório de "pretos" e "pardos".
O estudo também revela que o Amazonas apresentou um aumento de 6% no índice no comparativo com o ano anterior.
O Amazonas lidera o ranking de maior percentual de pessoas negras mortas em intervenção policial seguido por Pernambuco e Bahia. A diferença para São Paulo, último colocado entre os estados monitorados, é de 31,4%. Veja o gráfico abaixo:
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De acordo com o estudo, o Amazonas registrou 43 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, repetindo o mesmo número do ano anterior. Em sete anos de monitoramento, o estado acumulou 535 vítimas. O relatório também aponta uma mudança geográfica no registro dos casos, com avanço da interiorização da violência policial.
Em 2025, os municípios do interior concentraram 62,8% das mortes, enquanto Manaus respondeu por 37,2% dos registros. As ocorrências se espalharam por 16 municípios, contra 10 no período anterior.
Coari, cidade localizada às margens do Rio Solimões, aparece no levantamento com a maior concentração de casos, reunindo 16,3% das mortes no estado. O município está localizado em uma das principais rotas do tráfico de drogas na Amazônia.
"Esses dados alertam para uma possível tendência de interiorização da violência policial, que extrapola os registros oficiais. A maior parte dos municípios afetados possui menos de 50 mil habitantes, em grande parte organizados em comunidades ribeirinhas, com poucos registros de homicídios", diz trecho do levantamento.
Ainda segundo o levantamento, as vítimas eram majoritariamente jovens, e a Polícia Militar foi responsável por 75% das mortes registradas no Amazonas. O estudo também destaca que não houve reconhecimento oficial de vítimas indígenas, apesar da relevância da população indígena no estado.
O estudo aponta preocupação de que essa nova dinâmica da letalidade policial possa ser consequência imediata e perigosa da interiorização de investimentos governamentais (estaduais e federais) em infraestrutura para a segurança pública, justificada em nome do “combate às facções”.
"Enquanto isso, organizações locais reivindicam, ainda com poucas respostas, políticas de prevenção a violências contra mulheres e meninas, além de contra pequenos roubos e furtos, como ações voltadas à redução do uso abusivo de álcool e outras drogas", diz outro trecho do documento.
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