Dia da Amazônia destaca desafio de levar saneamento para áreas de igarapés em Manaus
04/09/2026
(Foto: Reprodução) Dia da Amazônia destaca desafio de levar saneamento para áreas de igarapés em Manaus
Divulgação/Águas de Manaus
A Amazônia costuma ser lembrada pela imensidão da floresta, pelos rios e pela biodiversidade. Mas existe uma realidade amazônica que chama a atenção dentro das cidades. Em Manaus, por exemplo, milhares de pessoas vivem entre igarapés, em palafitas e rip-raps, em uma paisagem urbana que cresceu rapidamente ao longo das últimas décadas. Para essa população, preservar esse patrimônio natural também significa ter acesso à água tratada diretamente nas torneiras e ao esgoto coletado e tratado. No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, essa relação ganha ainda mais importância.
Desde 2018, a Águas de Manaus já investiu mais de R$ 2,4 bilhões na capital, ampliando a rede de abastecimento, modernizando sistemas e levando os serviços para mais de 200 mil pessoas que vivem em regiões que, durante anos, conviveram com dificuldades de acesso. São comunidades que cresceram em locais de difícil acesso, regiões próximas aos igarapés, becos estreitos e territórios onde a ausência histórica de infraestrutura urbana tornou a chegada do saneamento ainda mais complexa.
Um desses locais é o Educandos, bairro da zona Centro-Sul que é diretamente impactado pela subida e pela descida dos rios. Lá, mais de 1,5 mil famílias viveram por muitos anos sem acesso à água tratada.
“Por muitos anos, sofremos para ter acesso à água. Quando a Águas de Manaus chegou à cidade, fez questão de entender as nossas dificuldades e criou estratégias para garantir o abastecimento. Por mais que o acesso às palafitas seja difícil, hoje cada casa tem uma tubulação que leva água tratada até a torneira de cada morador. Quando se cuida das pessoas que moram aqui, também se está cuidando de todo o ecossistema”, ressalta Gil Eanes, morador do bairro Educandos há mais de 60 anos.
Após esse trabalho de mapeamento e expansão do sistema, Manaus alcançou, em 2023, a universalização do acesso à água tratada, um marco que transformou a realidade de milhares de famílias. Hoje, a meta é acompanhar o crescimento da cidade, por meio do programa +Águas, que leva o serviço para comunidades que passaram por regulação fundiária. Nos próximos três anos, mais de 180 mil pessoas serão atendidas pelo programa.
Além da ampliação do sistema de água, a Águas de Manaus também atua para que outro serviço essencial alcance cada vez mais pessoas: o esgotamento sanitário. Hoje, mais de 40% da cidade já possui acesso ao serviço, inclusive comunidades situadas às margens dos igarapés que cortam Manaus.
Localizado no bairro Redenção, zona Oeste da cidade, o Beco São Vicente já começou a receber uma estrutura de esgotamento sanitário adaptada para áreas conhecidas como “rip-raps”, que é o nome dado às estruturas de contenção construídas nas margens dos igarapés para reduzir processos de erosão. Na capital amazonense, o termo também identifica as comunidades formadas ao redor dessas áreas, geralmente marcadas por relevo acidentado, becos estreitos e desafios de acesso à infraestrutura urbana, como é o caso do Beco São Vicente.
A população que vive na região já reconhece a importância da chegada dos serviços de água e esgoto e percebe as transformações pelas quais o local vem passando. A artesã Lilian Gonçalves de Moraes, moradora do bairro Redenção há 40 anos, participa de um projeto no Beco São Vicente e acompanha, no dia a dia, as melhorias que a região vem recebendo.
“Antes, aqui era um emaranhado de canos. Depois que chegou a água regularizada, ficou melhor e não tivemos mais problemas para ter água limpa em casa. Agora, com a chegada do saneamento e dos tubos de esgoto, melhorou mais ainda. Diminuiu o mau cheiro e a presença de bichos. Agora esperamos que essa estrutura também chegue aos outros becos e que as pessoas entendam a importância de se conectar para contribuir com a melhoria dos igarapés. Todos nós somos responsáveis por essa mudança, desde o uso correto da água e o descarte adequado do esgoto até o cuidado para não jogar lixo nos igarapés”, frisa a moradora.
A adaptação às diferentes realidades de Manaus também passa pela garantia de que os serviços sejam financeiramente acessíveis às famílias. Em áreas de vulnerabilidade social, a concessionária mantém programas de tarifas sociais que oferecem descontos de 50% no valor da fatura de água e esgoto, além de condições diferenciadas, como a Tarifa 10, na qual o morador paga um valor fixo de R$ 10 pelos serviços. As iniciativas permitem que mais pessoas tenham acesso regular à água tratada e ao saneamento.
“Vivemos na Amazônia, e cuidar das pessoas, oferecendo dignidade e saúde por meio do saneamento, também é cuidar desse patrimônio mundial. Universalizar o saneamento significa olhar para a realidade de cada família e entender que o acesso aos serviços também precisa ser financeiramente possível. Por isso, além de ampliar as redes e levar água e esgoto para áreas de maior vulnerabilidade, trabalhamos para oferecer condições diferenciadas, como as tarifas sociais. Hoje, mais de 40% da população atendida pela Águas de Manaus já está inserida nesses programas, o que mostra a importância dessas iniciativas para promover uma cidade cada vez mais inclusiva”, destaca o diretor-presidente da Águas de Manaus, Pedro Augusto Freitas.
Em Manaus, a expansão do saneamento, com soluções adaptadas e tarifas sociais, garantem o cuidado as pessoas que vivem na Amazônia.